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7 motivos para se aprender idiomas com poemas

Você pode estar pensando: “Mas eu nem gosto de poesia…” Eu entendo, não é todo mundo que gosta, mas continue a ler o artigo e você entenderá o porquê da minha indicação. Ainda tenho um pequeno presente para você!

poetry

Meus alunos dizem que eu não posso servir como base para dar esse tipo de sugestão, porque adoro poemas e aprendo muito com eles, mas há diversas razões para se estudar um poema, mesmo que você não goste de poesia. Garanto que você vai se surpreender. Neste artigo, resolvi revelar os 7 motivos que eu considero mais importantes. E ainda tenho um pequeno presente para quem ler o texto até o final: surpresa.

1. O poema é um texto curto

Um poema é, geralmente, um texto curto, mas que carrega muitas vezes um significado extremamente amplo e profundo. Por ser curto, o seu estudo é rápido. Nem sempre é fácil, mas é rápido. E é ainda mais rápido se não nos retermos em seus significados mais profundos e analisarmos tão somente o seu vocabulário e a sua estrutura gramatical. Sei que é perder um pouco de foco no poema, mas nosso objetivo não é nos tornarmos críticos literários, mas estudar idiomas a partir da poesia.

Há um poeta italiano de quem gosto muito chamado Ungaretti (clique no link para saber mais sobre sua vida), que morou no Brasil e ensinou literatura na USP. Sua história é fascinante e sua obra, incrível. Ele lutou nas duas grandes guerras, aderiu ao fascimo, fugiu dele e essas experiências o influenciaram bastante, o que lhe fez escrever poemas sobre a morte e também sobre a vida! Imagine o que é ver o Sol raiar uma vez mais enquanto luta-se uma guerra ou o quanto isso se torna importante depois dela, para quem já viu tanta destruição.

Esse poema é composto apenas de duas linhas e praticamente apenas três palavras. Há diversas interpretações para ele, a mais comum é o prazer de ver uma nova manhã surgir e como aquela manhã lhe dá energia para viver. Como já disse antes, é muito interessante divagar sobre o poema, mas esse não será o nosso objetivo ao estudá-los, vamos focar no idioma:

Mattina, di Giuseppe Ungaretti

Mattina,
M’illumino d’immenso

E é só. Fácil de memorizar, não é? Ainda temos alguns elementos linguísticos importantes: mattina, manhã – um período do dia; m’illumino, ilumino-me – pronome objeto apostrofado + conjugação de um verbo regular no presente do indicativo; d’immenso, de imensidão – preposição di apostrofada + vocabulário. Além disso, o ritmo do poema com três palavras com letras duplas, permite praticar bem a pronúncia. Viu quanta coisa em apenas duas linhas? É claro que você não precisa enxergar tudo isso logo de cara, vai analisando devagar, descobrindo aos poucos.

Nosso objetivo não é nos tornarmos críticos literários, mas estudar idiomas a partir da poesia.

Há poemas e letras de músicas que eu descubro constantemente. Em japonês, há um gênero literário impressionante que se chama haikai ou haiku. Já ouviu falar? São poemas curtos, de três linhas e dezessete sílabas, apenas. Nessas três linhas, encontramos muita beleza e muita profundidade. E também, como é de se esperar, muito conteúdo linguístico a ser estudado.

Os haikai clássicos versam sobre a natureza e sobre os fatos banais do mundo. Geralmente, precisamos ler mais de uma vez para entender. Mas, como é tão curto, a sua leitura não dá tanto trabalho, é possível lê-lo diversas vezes sem perder muito tempo. Esse tempo curto é importante, porque nos permite praticar diariamente (leia este artigo sobre o estudo diário), nos permite estar sempre em contato com o idioma. Afinal, quem aqui não tem tempo de ler algumas linhas por dia?

Antes de minha viagem ao Japão, eu lia haikai e tentava entendê-los a partir dos meus estudos sobre a cultura japonesa e a partir de pinturas clássicas. Eu até que conseguia imaginar os cenários em que os poetas tinham estado e tudo o mais, mas nada melhor do que estar lá e poder registrar o que você viu e associar ao que já estudou. Leia esse pequeno poema de Basho sobre a primavera e veja a foto. Incrível, não é?

Um monte sob a névoa da manhã

Um monte sob a névoa da manhã

春なれや
名もなき山の
薄霞芭蕉

haru nare ya
na mo naki yama no
asagasumi

Já é primavera —
Uma colina sem nome
Sob a névoa da manhã.

Bashô

Preciso falar alguma coisa sobre elementos linguísticos nesse poema? Só o estudo dos kanji já estaria de bom tamanho: 春 – primavera; 山 – montanha; 名 – nome. Esses são os mais simples, para quem está começando como eu, mas é claro que há outros mais complexos. Além disso, ainda podemos ver a partícula の, indicando posse. Quando estudei esse poema pela primeira vez, não conhecia o termo 薄霞芭蕉, mas depois descobri que são daquelas palavras um tanto intraduzíveis, que se refere simplesmente à névoa da manhã. São vários elementos que até um iniciante como eu pode identificar. E esse é o objetivo, ver na prática o que já se sabe e, é claro, buscar o que há de novidade: vocabulário e estrutura gramatical. Caso consiga uma análise mais detalhada do que a minha – e provavelmente conseguirá, fique à vontade para postar nos comentários. 😉

Resumindo o primeiro motivo: a brevidade do poema nos permite uma leitura diária e nos traz elementos linguísticos novos e já conhecidos.

2. Como é um texto curto, você pode memorizá-lo facilmente

E quais seriam as vantagens de se memorizar um texto? Primeira vantagem: tudo o que aprendemos passa pela nossa memória. Esse papo de que não temos que memorizar, mas que aprender, é balela. Para aprender algo, precisamos memorizar e não temos escapatória. Todas as palavras que utilizamos em nosso dia a dia, seja em que idioma for, estão registradas em nossa memória (leia este artigo que escrevi sobre como memorizar melhor).

Tendo memorizado um poema, aquele vocabulário e aquelas estruturas vão se internalizando e você vai aprendendo mais rápido. Mas não é memorizar por memorizar, como um papagaio o faria. É preciso que você esteja consciente, que você entenda o que está decorando, para poder aprender, para poder começar a usar o que está em sua memória. A aprendizagem de um idioma se dá quando você passa a utilizar aqueles elementos estudados, seja de forma passiva (compreensão) ou ativa (expressão).

Nem sempre vamos usar tudo o que aprendemos. E nem precisamos. Há vezes que entender já nos basta. Você, com certeza, não usa todas as palavras que conhece em português.

Essa é uma diferença importante de entender: nem sempre vamos usar tudo o que aprendemos. E nem precisamos. Há vezes que entender já nos basta. Você, com certeza, não usa todas as palavras que conhece em português. Mesmo em sua língua materna, você opta por utilizar um determinado número de palavras, adaptando-as ao contexto e, é claro, limitado pela sua memória – quantas vezes queremos dizer/escrever uma palavra e a esquecemos? Isso acontece comigo o tempo todo. Então, por que seria diferente em outro idioma?

Outra vantagem: sabe aquela hora em que te dizem: “Fala alguma coisa em japonês”? Que tal surpreender e recitar um poema? Seria hilário e a outra pessoa com certeza ficaria boquiaberta. Ah, além disso, poemas agradam a muitas garotas, é uma ótima ferramenta de conquista! Imagine recitar um poema em francês ou em italiano – línguas consideradas extremamente românticas – assim, de cabeça. Uau!

3. Você pode ler em voz alta para praticar a pronúncia

Não é fácil ler um livro inteiro em voz alta, até mesmo um texto de cinco páginas demanda algum tempo, mas isso é totalmente possível com um poema, seu estudo diário é tranquilo e sua leitura, além de agradável, é breve. Isso facilita bastante a prática da pronúncia. Eu gosto de recitar poemas em voz alta e, recentemente, comecei a gravar alguns. Escute esse poema de Baudelaire, intitulado Enivrez-vous, o meu favorito em francês. É um poema escrito em prosa:

 

Enivrez-vous, de Charles Baudelaire

Il faut être toujours ivre, tout est là ; c’est l’unique question. Pour ne pas sentir l’horrible fardeau du temps qui brise vos épaules et vous penche vers la terre, il faut vous enivrer sans trêve.

Mais de quoi? De vin, de poésie, ou de vertu à votre guise, mais enivrez-vous!

Et si quelquefois, sur les marches d’un palais, sur l’herbe verte d’un fossé, dans la solitude morne de votre chambre, vous vous réveillez, l’ivresse déjà diminuée ou disparue, demandez au vent, à la vague, à l’étoile, à l’oiseau, à l’horloge; à tout ce qui fuit, à tout ce qui gémit, à tout ce qui roule, à tout ce qui chante, à tout ce qui parle, demandez quelle heure il est. Et le vent, la vague, l’étoile, l’oiseau, l’horloge, vous répondront, il est l’heure de s’enivrer ; pour ne pas être les esclaves martyrisés du temps, enivrez-vous, enivrez-vous sans cesse de vin, de poésie, de vertu, à votre guise.

 

Você também pode se gravar falando e se comparar com nativos, como eu fiz com o poema anterior, é um excelente exercícios para se avaliar, para ver como anda a sua pronúncia. Há muitos arquivos em áudio disponíveis online, tanto no YouTube quanto em sites que disponibilizam áudio-livros. Falaremos sobre esses sites em um próximo artigo, então, fique ligado em novas atualizações.

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4. Você pode descobrir o ritmo da língua

Cada idioma possui um ritmo próprio e a leitura de poemas pode revelá-lo com uma maior facilidade. É claro que, para isso, você precisa ler em voz alta ou ouvir alguém recitando. Considero essa atividade fundamental para quem deseje adquirir um ritmo de fala parecido com a de um nativo. Não vou escrever muito sobre esse tópico. Vou deixar você avaliar alguns vídeos que eu selecionei, com poemas em francês, italiano, inglês e um texto curto de Nietzsche, em alemão:

Tente perceber, neste vídeo – old, but gold – todo o romantismo e, apesar do esforço do ator Serge Reggiani em recitar Enivrez-vous, a monotonia da língua francesa:

O italiano também é romântico, mas neste vídeo do poema “L’infinito”, di Giacomo Leopardi, ele ganha um tom melancólico:

Esse não é um bom exemplo generalizado de poemas em língua inglesa, mas as brincadeiras e a leveza de Kerouac, nesses American Haiku, leva o inglês quase ao escrachamento:

Todos sabem que o alemão é forte. Mas você já tinha percebido como ele é melódico? Escute o aforismo Der tolle mensch, de Nietzsche e confira:

Interessante, não é? É algo que você pode fazer sempre. Escutar um poema no seu idioma de estudo para tentar compreender e captar melhor o seu ritmo.

5. Você pode aprender muito vocabulário com um poema

Acredito que os exemplos do começo do artigo já tenham sido suficientes para deixar claro o quanto você pode aprender analisando os elementos linguísticos de um poema. O seu significado profundo pode ser deixado de lado em um primeiro momento caso você queira apenas estudá-lo para aprender mais do idioma. É claro que seus aspectos artísticos e culturais (algumas vezes, até sociais) são de extrema relevância, mas o nosso objetivo aqui é aprender mais e melhor.

No entanto, não posso deixar de abordar esses dois últimos aspectos fundamentais. Caso você não tenha interesse em poesia e queira pular para o final do artigo e baixar o seu presente, não vou me ofender, eu compreendo perfeitamente. De qualquer forma, preciso continuar.

6. Você pode captar muito da cultura de um povo

A poesia é uma expressão artística e toda expressão artística possui íntima relação com a cultura de um povo. Veja as artes japonesas. Apesar de terem uma grande influência da China, os artistas japoneses conseguiram criar algo novo, algo que revela muito da sua cultura. Só de ver uma obra, já é possível dizer se ela é japonesa ou não. Os poemas também são obras de arte, os haiku, por exemplo, pertencem exclusivamente ao Japão. Em apenas três linhas, podemos detectar parte do pensamento de um povo, de sua relação com a natureza e de sua observação da vida.

Os poemas italianos e franceses também possuem características próprias, apesar de serem parecidos, por questões históricas e geográficas. Um movimento que teve muita força na França foi o Iluminismo (tem até um filme sobre parte desse movimento na Dinamarca – O Amante da Rainha. Em dinamarquês: En Kongelig Affaere – veja como se parece com o alemão!) e ele foi um dos propulsores da Revolução Francesa. Voltaire, um dos nomes mais famosos do movimento iluminista, não podia deixar de escrever poemas que representassem seus ideais.

Os beatniks também deixaram sua marca na literatura. Eles representaram um pensamento hipster antes mesmo do movimento hippie tomar a proporção que conhecemos. Sua influência foi imensa na época e muitos ainda admiram a espontaneidade desses escritores. O que mais pode representar tão bem uma parte da cultura americana?

Cada movimento artístico e literário está associado a uma parte da história e cada parte dessa história gerou cultura e essa cultura influenciou o pensamento da época e deixou suas marcas até hoje. Estudar uma obra de arte é estudar cultura, é estar imerso nos motivos que levaram o autor a produzí-la.

7. Você vai se elevar com a beleza de um poema

Nada melhor do que admirar o belo, uma paisagem, uma música, um quadro ou um poema. A arte nos engrandece, não apenas pela cultura que ela nos traz, mas também pela sensibilidade que ela desperta. O poeta viveu uma experiência, a observou e a retratou em algumas linhas, em palavras minuciosamente escolhidas, para tentar transmitir ao leitor, um pouco do que viveu.

Drummond dizia que havia um reino das palavras e que lá estaria os poemas a serem escritos. Os grandes poetas são frequentadores assíduos deste reino, um lugar que não conhecemos bem, mas do qual podemos ter uma vaga ideia se nos dedicarmos um pouco à leitura da poesia.

O que escrevi pode parecer um tanto poético e romântico, o de se estudar a partir de obras de arte, mas você viu que é possível e, mesmo que não queira entrar nesse mundo de cabeça, um pouco de beleza pode contagiar você e elevar o seu espírito. Muita viagem? Deixe sua opinião nos comentários.

Para acabar o artigo com uma bela mensagem a favor da cultura, gostaria de citar Goethe, que enumera algumas atitudes que deveríamos tomar diariamente:

“Man sollte alle Tage wenigstens ein kleines Lied hören, ein gutes Gedicht lesen, ein treffliches Gemälde sehen und, wenn es möglich zu machen wäre, ein vernünftiges Wort sprechen.”

“Todos os dias deveríamos ler um bom poema, ouvir uma linda canção, contemplar um belo quadro e dizer algumas palavras bonitas”.

Que tal? Gostou?

Agora chegou a hora que você estava esperando: seu presente! Eu sei que você deve estar ansioso, eu também estaria, porque adoro presentes! São quatro coleções de poemas multilíngues em áudio. Para tê-lo, basta curtir nossa página no Facebook. Depois, é só começar a estudar idiomas com poemas hoje mesmo:

 

Multilingual Poetry Collection 1 – Afrikaans, português, chinês, esperanto, francês, alemão, hebreu, japonês, latim, nórdico antigo, espanhol e tagalog.

Multilingual Poetry Collection 2 – Português, chinês, tcheco, holandês, francês, alemão, irlandês, russo, escocês, espanhol e gaulês.

Multilingual Poetry Collection 3 – Bengali, chinês, holandês, esperanto, francês, italiano, polonês e espanhol.

Multilingual Poetry Collection 4 – Árabe, chinês, finlandês, francês, alemão, italiano, latim, português, letão e turco.

 


Estou apenas começando a escrever o blog e, para dar continuidade ao projeto, preciso da interação de vocês. Caso tenha gostado dos artigos e dos vídeos do blog, peço que compartilhe com os seus amigos e/ou que deixe um comentário sobre essa dica de estudar idiomas com poesia. O que achou das sugestões?

Um grande abraço e até a próxima!

 

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Sobre o autor | Website

Igor Barca domina inglês, francês, italiano e espanhol e estuda alemão e japonês. Sua missão é aprender ao menos 10 idiomas e ajudar você a aprender também!

7 Comentários

  1. Afonso says:

    Postagem incrível! Nunca havia pensado por esse prisma. Começo hoje meu estudo via poemas! :)

  2. Érico says:

    Muito obrigado por compartilhar o poema Enivrez-vous. Adorei!

    • igorbarca says:

      Obrigado a você, Érico, por acompanhar os artigos! “Enivrez-vous” é meu poema favorito em francês, sem dúvida. É sempre um prazer compartilhá-lo! Um abraço.

  3. Jéssica says:

    Boa tarde, Igor.
    No momento, estudo francês e alemão.
    Conheci seu blog ontem e gostei muito. Dicas muito boas.
    Obrigada por compartilhá-las conosco.
    Jéssica

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